Veja a expansão do cannabidiol dentro da indústria farmacêutica e porque sua representação medicinal no Brasil ainda é tão pequena.

Você certamente já ouviu falar no uso do cannabidiol para o tratamento de doenças. O estudo da substância vem ganhando espaço no setor farmacêutico e várias pesquisas comprovam os benefícios causados pelo princípio ativo.

Porém, por ser extraída da planta da maconha, essas informações ainda são alvo de preconceitos. Conversamos com a professora Virgínia Carvalho, da UFRJ, que é coordenadora do projeto de extensão universitária Farmacannabis, para entender melhor sobre o uso da substância com fins medicinais.

Neste post, vamos falar sobre como cannabidiol pode ajudar na indústria farmacêutica. Acompanhe!

O que é cannabidiol?

O cannabidiol é um princípio ativo, encontrado na planta da cannabis, dissolvido em óleo, que pode ser de oliva ou de milho, por exemplo. Esses óleos podem ser encapsulados. A substância pura é encontrada em formato de cristal, mas geralmente é utilizada por meio da extração da planta.

A ANVISA tirou a substância da lista de proibidos em 2015 e classificou o cannabidiol como anticonvulsivante. No entanto, a substância apresenta outros efeitos depressores no sistema nervoso central, o que o torna um excelente remédio para o tratamento de diversas doenças.

A legislação de outros países prevê que as plantas utilizadas devem ter menos que 0,2% ou 0,3% de THC. Alguns produtos são de CDB puro, conhecidos por THC free, que é um cannabidiol isolado. Boa parte desses produtos são registrados como suplementos alimentares.

Como o CBD age?

A substância interage com receptores de químicos no cérebro humano mas, ao contrário do THC (outra substância extraída da maconha), não produz efeitos psicoativos. A substância leva a um amortecimento de processos neuroquímicos, principalmente os que estão ligados à dor.

Além disso, a reação do CBD com outros receptores cerebrais pode levar ao aumento de serotonina e reduzir processos inflamatórios desencadeados pela entrada de bactérias por meio da lesão em um tecido.

Como o cannabidiol pode ser usado para o tratamento de doenças?

O Conselho Federal de Medicina aprovou a prescrição médica do cannabidiol no Brasil para o controle de convulsões, como em casos de epilepsia. Segundo a professora Virgínia, em geral o CBD é ministrado para o tratamento de doenças raras que provocam várias convulsões diárias, como Síndrome de Dravet, Ohtahara, Ratt, etc.

Entenda melhor o uso da substância para tratamento de diversas doenças.

Epilepsia

Aproximadamente 70% dos pacientes de epilepsia tratam a doença com os fármacos disponíveis atualmente no mercado. No entanto, esses remédios não são capazes de controlar a doença em pessoas com lesões focais, que representam de 30 a 40% dos indivíduos com a enfermidade.

Por se tratar de uma doença crônica e de alguns medicamentos não funcionarem para alguns casos, chegando a provocar graves efeitos colaterais, a liberação do cannabidiol para esses pacientes é muito discutida.

Autismo

Segundo a professora Virgínia Carvalho, muitos médicos apoiam o uso do cannabidiol para o tratamento do autismo. A utilização da substância nesse contexto começou pelos próprios pacientes, que encontravam informações na internet, principalmente dos Estados Unidos e Europa, e passaram a discutir esse tratamento com os médicos.

A professora afirma que não tem dados sobre a eficiência do uso de cannabidiol em autistas, mas já ouviu diversos relatos de médicos e pacientes que afirmaram ter obtido melhoras no quadro clínico.

Mal de Parkinson

Uma pesquisa realizada pela USP apontou que a substância é eficiente para o tratamento de mal de Parkinson, mostrando que pacientes que ingeriram a substância mostraram melhora significativa, especialmente nos casos refratários e mais graves.

Dor e ansiedade

Em outros países ocorre a comercialização de óleos ou pomadas com o CDB. Também é possível encontrar a substância em cremes para o rosto, soros, tabletes ou folhas para serem colocadas embaixo da língua.

Relatos apontam alívio de dores provocadas por lesões esportivas, com uma sensação de relaxamento no corpo, combatendo a ansiedade, porém sem apresentar os efeitos psicoativos provocados pelo consumo do produto.

Qual a presença do cannabidiol na indústria farmacêutica brasileira hoje?

O uso do cannabidiol tem um potencial gigantes para a indústria farmacêutica, afirma a professora Virgínia, pois atuaria no tratamento de diversas doenças graves. O único medicamento produzido no país à base de cannabis chama-se Mevatyl e é produzido pelo laboratório GW Farma. Esse fármaco é indicado para controle de espasmos e para pessoas que sofrem com os efeitos colaterais provocados pela quimioterapia, como ânsia e náusea.

A professora ressalta ainda que alguns médicos afirmam que a substância pode ter forte presença no tratamento de depressão, chegando a substituir o Rivotril. Porém, ela afirma que, apesar das características ansiolíticas da substância, é cedo para atestar sua eficiência para a doença, pois ainda faltam dados que comprovem a sua eficácia.

Quais são as maiores dificuldades da disseminação do uso do CBD em medicamentos brasileiros?

Virgínia Carvalho afirma que o maior empecilho para o uso da substância é a questão burocrática e regulatória. Pessoas que trabalham com botânica, por exemplo, não conseguem as legalizações necessárias para avançar com o estudo da substância no tratamento de doenças.

Apesar da retirada da substância da lista de proibidos, a ANVISA ainda carece de regulamentação para que essas pesquisas sejam realizadas. A importação de plantas e sementes para estudo também é dificultada, além de cara.

A professora acredita que a melhor maneira de abrir esse espaço é apostar no maior investimento em pesquisa clínica e acadêmica no Brasil. Assim, o aumento do desenvolvimento de pesquisas que atestem a eficiência do uso do CBD no tratamento de diversas doenças pressionaria o Governo para uma regulamentação.

Neste post, explicamos um pouco sobre a ação do cannabidiol, como ele pode ajudar no tratamento de doenças e como está o processo regulatório do uso da substância em medicamentos no Brasil. Ainda há um vasto campo a ser explorado, mas com enorme potencial de crescimento, por isso é importante que os laboratórios fiquem atentos às pesquisas e matérias sobre o assunto.

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