Como aplicar a logística reversa na indústria farmacêutica e cosmética?

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A logística reversa é necessária para atender ao cumprimento da legislação, otimizar a produção e impulsionar a sustentabilidade em empresas do setor cosmético e farmacêutico. O engajamento dos consumidores e a utilização de cooperativas são algumas das estratégias para garantir melhores resultados nesse segmento.

A seguir, nós explicaremos como a logística reversa funciona nesses setores e quais os principais motivos para aplicar nas empresas. Também abordaremos os erros que devem ser evitados na execução dessas medidas e trataremos dos impactos da pandemia na logística reversa. Confira!

O que é a logística reversa?

A Logística Reversa (LR) ganha cada vez mais importância nas empresas devido à Lei 2.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu no país a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O artigo 3 parágrafo XII dessa lei define logística reversa como: 

“instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”

Na prática, isso quer dizer que a logística reversa é o setor responsável por programar, operar e administrar o fluxo e as informações relativas ao retorno dos resíduos, depois da venda dos produtos. O objetivo é reaproveitar ou realizar o descarte de forma correta, em busca de um desenvolvimento sustentável. 

A logística reversa já era implantada antes da legislação, quando as empresas começaram a desenvolver ferramentas para lidar com o lixo e com a devolução de materiais após o consumo. No entanto, a lei deu mais responsabilidade às organizações com o ciclo de vida do produto, juntamente com os distribuidores, comerciantes e consumidores. 

Qual a importância da logística reversa?

O especialista em Meio Ambiente e Qualidade, e diretor da RCRambiental, André Navarro, avalia que atualmente as companhias estão mais engajadas pela essência da causa sustentável.

“Em uma era em que pretendemos transformar cada vez mais a economia linear em economia circular, a LR é um meio absolutamente necessário, seja para atendimento da lei, por posicionamento positivo da marca, ou por pura conscientização ambiental”, diz Navarro.

Veja mais sobre os motivos para aplicar a logística reversa.

Cumprimento das normas

O principal motivo para aplicar a logística reversa é o cumprimento da lei. “Normalmente as empresas que largam na frente capturam bastante valor para marca. Por outro lado as empresas que não cumprem o mínimo requerido por lei, além de uma exposição negativa de marca, podem sofrer infrações financeiras por vezes severas”, afirma Navarro.

Evitar penalidades

As empresas que cumprem as normas desse setor ganham ao conseguir renovar licenças ambientais. Desse modo, as companhias são liberadas para vender produtos de higiene pessoal, embalagem de medicamentos, produtos de higiene pessoal, entre outros. 

No entanto, o descarte inadequado ainda pode acarretar em penalidades às empresas que descumprem as normas do setor. “Centenas de empresas em alguns estados do Brasil já foram ‘intimadas’, seja pelos órgãos ambientais ou pelo Ministério Público, a comprovar o atendimento à legislação”, explica o diretor da RCRambiental. 

Sustentabilidade

Conforme o Panorama dos Resíduos Sólidos de 2018/2019, da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), foram gerados no Brasil 79 milhões de toneladas de resíduos no ano de 2018. Foram coletados 92% desse total. No entanto, 40% do lixo que foi coletado acabou descarregado em lixões ou aterros.

Sem a destinação correta, não são garantidas as condições de integridade do meio ambiente e da população local. Os prejuízos podem afetar a reputação das companhias, além de gerar multas e indenizações.

Otimização dos processos produtivos

Outro ponto importante é a possibilidade de aperfeiçoar os processos produtivos das organizações, a fim de reduzir a geração de resíduos. As empresas ainda podem aumentar a rentabilidade, ao economizar no custo dos insumos, devido à reutilização do material reciclável.

Como a logística reversa foi impactada pela pandemia?

André Navarro explica que, devido à pandemia do novo coronavírus, ocorreram prejuízos operacionais em cooperativas, o que afetou também o processo de reciclagem.

“Pelo lado prático, as cooperativas não puderam trabalhar ou tiveram muitas dificuldades operacionais, com isso uma grande massa deixou de ser reciclada. Os [Pontos de Entrega Voluntários] PEVs instalados em Hipermercados também foram afetados em função da grande preocupação relacionada à contaminação”, argumenta. 

Por outro lado, ele considera um avanço o decreto que instituiu a Logística Reversa de Medicamentos, que culmina em uma vasta gama de estudos e projetos para atendimento ao marco regulatório. Navarro ainda avalia que a logística reversa também pode ser vista como um fator para gerar renda à população. 

“Não digo durante o pico da crise, mas, com a transmissão do vírus mais controlada e com tratamentos mais conhecidos e eficazes, sem dúvida a LR é um elemento gerador de renda”, defende. 

Ele cita o exemplo do projeto sem fins lucrativos “Economia Circular Solidária”, para capacitação de comunidades mais vulneráveis, para produção com base preponderante de materiais recicláveis.

 “O produto número um foi o dispenser de álcool em gel acionado pelos pés, um produto de baixo custo, ambientalmente amigável, socialmente justo, e que se alinha aos atuais aspectos sanitários para higienização das mãos”, cita. 

Como aplicar a logística reversa na indústria farmacêutica e cosmética?

O diretor da RCRambiental afirma que a implantação precisa viabilizar o engajamento dos consumidores. 

“Vou falar da LR ‘raiz’, pois existem vários sistemas em prática, como a comercialização de créditos de recicláveis, mas vou me ater aqui ao modo pelo qual acreditamos agregar mais valor para o meio ambiente. Assim a implantação precisa de um sponsor ‘ou um grupo’, que poderá engajar seus consumidores numa causa genuinamente sustentável”, diz ele. 

Segundo Navarro, uma empresa como a RCRambiental assessora desde as questões normativas e legais, até a implantação e operação do sistema, que passa pela arquitetura de PEVs customizados para cada setor até a destinação final.

“Um grande gargalo para sustentação do pilar econômico está relacionado à geração de demanda, portanto criar mecanismos eficientes de divulgação e reconhecimento tem se mostrado uma ótima estratégia”, defende. 

Apesar de avaliar que os volumes genuinamente oriundos da LR “raiz” são ainda extremamente tímidos, entre os modelos em curso, destaca as iniciativas que utilizam as cooperativas como “braços” para captação de material. Dessa maneira, além dos benefícios ao meio ambiente e à economia, o segmento social também é estimulado 

“Porém acredito muito em modelos híbridos, por exemplo, usar além de hipermercados, shoppings, prefeituras, condomínios, aumentar os pontos de entrega. Precisamos facilitar a vida do consumidor para eliminar as ‘desculpas’ pelo não comprometimento sustentável”, explica Navarro.

Quais erros de logística reversa devem ser evitados?

Portanto, uma das principais falhas que podem ser cometidas pela empresa na aplicação da LR é não considerar a responsabilidade compartilhada com o consumidor. 

“Planejar como atingir o ‘coração’ dos geradores e do consumidor. O desafio está em estimular essas duas pontas, um precisa investir acreditando no impacto ambiental positivo e no reconhecimento do seu público consumidor. 

O diretor da RCRambiental sustenta a necessidade de planejamento para conquistar o engajamento dos clientes. “O consumidor precisa fazer sua parte, caso contrário podemos implantar o software da Nasa [agência espacial americana] e drone-PEV que nada sairá do lugar”, exemplifica. 

Com base no que foi apresentado, podemos concluir que a logística reversa é importante para contribuir com o cumprimento à legislação, otimizar a produção e impulsionar a sustentabilidade. Nesse segmento, é necessário ter atenção com o engajamento dos consumidores e a utilização de cooperativas, para garantir melhores resultados. 

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