A química analítica é uma das áreas mais abrangentes do mercado. Seu desenvolvimento gera impactos na indústria de alimentos, na exploração de petróleo, no controle de efluentes, tratamentos ambientais, entre muitos outros.

Seja na pesquisa de novos produtos, no controle de qualidade ou na melhoria dos processos de produção, a química analítica exerce um impacto direto em nosso dia a dia, trazendo, também, novas perspectivas para o setor farmacêutico.

Quer entender os impactos dos investimentos do governo em química analítica para a indústria farmacêutica e como esses setores dialogaram ao longo do tempo? Acompanhe! 

Como funcionam os investimentos do governo em química analítica?

Todas as áreas da ciência se beneficiam do desenvolvimento da química analítica, e não seria diferente com o setor farmacêutico. Processos como controle de qualidade, desenvolvimento de produtos, gerenciamento de processo de produção, gestão ambiental e outros dependem do trabalho dos analistas químicos. 

Afinal, sem a química analítica, não é possível determinar a quantidade de compostos de importância ambiental, mineralógica e farmacológica. 

Os investimentos em química analítica estão diretamente vinculados ao incentivo à educação, tecnologia e ciência, além da formação de recursos humanos qualificados. 

Eles provêm de iniciativas governamentais e de programas privados, seja por meio de investimentos em ciência em tecnologia, seja em programas de inovação e desenvolvimento de novos produtos e processos para criação de patentes.

Eventos científicos também desempenham um papel importante, promovendo discussões entre estudantes e pesquisadores e o encontro entre diferentes grupos de pesquisa do Brasil e do mundo. Essas interações ampliam as colaborações e a qualidade da produção científica em nosso país.

Dessa forma, os investimentos em química analítica permitem criar produtos de maior qualidade, certificar a qualidade de efluentes (colaborando, assim, com políticas de sustentabilidade) e colaborar cada vez mais com as especificações e normas de segurança socioambiental.

Não adianta, portanto, ter equipamentos de última geração e uma estrutura de ponta se não houver investimento no desenvolvimento técnico e na capacitação de quem manipula e tira o máximo potencial desses dispositivos. 

Como os investimentos em química analítica contribuíram para o desenvolvimento do setor farmacêutico?

Com técnicas analíticas como medição de condutividade, pH, eletroquímica, espectroscopia, titulação potenciométrica e outras, a química analítica colabora com o desenvolvimento do setor farmacêutico em nosso país. Entenda!

Crescimento em eventos científicos

Os eventos científicos promovem troca de conhecimento entre graduandos, pós-graduandos, pesquisadores e profissionais de diversos setores. Até hoje, as Reuniões Anuais da Sociedade Brasileira de Química (RASBQ), que acontecem desde 1978, e os Encontros Nacionais de Química Analítica, que passaram a ser realizados desde 1982, por exemplo, ainda reúnem estudantes e pesquisadores para discutir o desenvolvimento científico em analítica.  

Esses eventos demonstram que a química analítica está em constante transformação e diálogo com as novas demandas trazidas pelo desenvolvimento tecnológico, incluindo o setor farmacêutico.

Um estudo das universidades federais de Minas Gerais e da Bahia, junto da Estadual Paulista, analisou os temas mais abordados nos Encontros Nacionais de Química Analítica. 

Em 1995, 75% dos trabalhos abrangiam as áreas de espectroanalítica, eletroanalítica química ambiental e técnicas de separação. Em 2016, a química ambiental continuava em destaque, mas a espectroanalítica teve uma redução de aproximadamente 50% no número de pesquisas, pelo fato de suas subáreas terem ganhado maior destaque no mercado. 

A análise de processos, como demonstramos a seguir, tem muito a ganhar com essa troca de conhecimentos. Além disso, os eventos são uma grande oportunidade para que pesquisadores, estudantes e profissionais conheçam o trabalho das empresas.

Criação de cursos de pós-graduação

Os primeiros cursos de pós-graduação em química no Brasil tiveram início na década de 60. Em 1982, existiam apenas seis programas de pós-graduação (PPG) focados em química analítica aprovados pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). 

Nos anos 2000, contudo, esse número era muito mais expressivo, com 18 PPGs distribuídos pelo país, segundo um estudo realizado pela UFMG, UFBA e USP. Isso se deve à expansão do sistema universitário federal por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, associado ao apoio da CAPES. 

Com investimentos em programas acadêmicos de química analítica, diversos setores industriais se beneficiam — e não só pela entrada de profissionais mais capacitados no mercado, mas também pelo desenvolvimento de tecnologias, técnicas e processos que possam ser patenteados. Em um mercado cada vez mais competitivo, a inovação é o melhor caminho para sobressair. 

Maior diálogo entre a academia e a indústria

Para aprimorar a interação entre o setor industrial/empresarial e o meio acadêmico, foram criados o Congresso Analítica Latin America e a Feira Analítica Latin America. A feira tem o intuito de ser uma plataforma geradora de negócios, atraindo marcas multissetoriais. Já o congresso procura abordar temas atuais e discussões que reúnam os interesses dos setores empresarial e acadêmico.  

Devido a desafios como alta do câmbio e cenário sociopolítico instável, os investimentos no setor de produtos químicos de uso industrial caíram 30% em 2018, segundo uma publicação especializada, um sintoma da insegurança do mercado. 

Ainda assim, áreas como a espectroscopia e a titulação potenciométrica têm recebido a atenção de investidores, gerando impactos diretos na indústria farmacêutica. 

Melhorias na análise de processo

Para muitas indústrias, incluindo a farmacêutica, ter uma resposta rápida é essencial para garantir a qualidade e a correção em tempo hábil de possíveis desvios nos processos. 

Nesse sentido, investimentos em química analítica não só colaboram com novos procedimentos, mas também com novos equipamentos que permitam obter informações precisas rapidamente, auxiliando na tomada de decisões. 

Na técnica NIR, por exemplo, não há uso de reagentes, o que reduz significativamente o número de descartes e o tempo de resposta. 

Capacitação de técnicos e pesquisadores

Além dos investimentos em pesquisas no âmbito da academia, também é importante salientar a importância da capacitação dentro das empresas, de modo que técnicos, gestores e outros colaboradores das áreas de analítica e farmacêutica estejam sempre em sintonia com as últimas novidades do mercado. 

Devido ao cenário socioeconômico instável, muitas empresas saíram do Brasil. Contudo, aquelas que ficaram têm investido em mais laboratórios e salas de treinamento, proporcionando maior conforto e mais condições de capacitação dos funcionários em nosso país. 

Essas políticas de capacitação e desenvolvimento interno contribuem significativamente com o desenvolvimento da nossa indústria e com políticas de crescimento globalizado, já que os funcionários tornam-se cada vez mais capacitados para fazer intercâmbios e representar a companhia em outros cenários. 

Como pôde-se perceber, os investimentos do governo em química analítica impactam diretamente o setor farmacêutico em nosso país. Seja por meio de programas de pós-graduação, treinamento dentro das empresas ou eventos, investir em ciência colabora com o desenvolvimento da nossa indústria e com a criação de diferenciais em um mercado cada vez mais competitivo. 

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