Desde o início da civilização moderna, as sociedades realizam suas transações comerciais pelo mar. Não é exagero dizer, portanto, que o transporte marítimo é essencial para manter nossos laços com outras nações e fomentar o crescimento econômico de nosso país.

Para gerenciar essas operações e assegurar que as mercadorias cheguem com integridade aos parceiros e fornecedores, contudo, a logística de portos enfrenta desafios. Com auxílio da tecnologia e das novas dinâmicas comerciais, porém, ela também vislumbra oportunidades.

Se você quer entender como funciona a logística portuária, bem como a sua influência no processo de exportação e importação, acompanhe o resultado da entrevista que o blog Talk SCIENCE realizou com Nelson Luiz Carlini, diretor da Porto Assessoria e Gestão!

Qual a importância da exportação marítima?

Ainda que o transporte marítimo não tenha atingido seu potencial máximo em nosso país, ele tem uma grande relevância para o comércio e nosso crescimento. Todos os anos, são movimentadas cerca de 350 milhões de toneladas de mercadorias por essa via, fazendo com que o setor seja responsável por 13% do transporte de cargas no Brasil, como informa o relatório do Plano Nacional de Logística de Transportes (PNLT), citado por um portal especializado.

As atividades de portos como os do Rio de Janeiro (RJ), Itajaí (SC) e Santos (SP) ficaram mais intensas com o aumento das trocas comerciais entre Brasil, China, Índia e outros países asiáticos nos anos 90. Tanto a importação como a exportação intensificaram a movimentação da navegação nacional, possibilitando que até mesmo empresas menores pudessem adotar esse tipo de transporte.

Como funciona a logística de portos?

A logística de portos é a área da administração que gerencia as atividades de movimentação das cargas pelo mar. Ou seja, ela inclui o transporte, carregamento e descarregamento de embarcações, um processo bastante burocrático, que exige que as informações sejam detalhadas e entregues em período hábil.

A logística portuária pode ser dividida em três eixos:

  • complexo fixo: essa é a estrutura física da logística portuária;
  • administração: inclui todas as entidades envolvidas no gerenciamento dos portos;
  • operação: como o nome diz, essa é a parte que se responsabiliza pelas operações. Exemplos: pilotos marítimos, Sindicato dos Trabalhadores Avulsos, operadores de portos, rebocadores etc.
Quais são os desafios da logística de portos no Brasil?

Mesmo diante das melhorias realizadas pelos terminais privados e pelas políticas governamentais nas últimas décadas, a logística de portos no Brasil ainda enfrenta muitos desafios, como afirma Nelson Luiz Carlini.

Afinal, a indústria brasileira (incluindo a farmacêutica, a química e a cosmética) pouco exporta, mas importa muito. “Como ela não tem grandes conglomerados para fazer importação e exportação, arca com algumas desvantagens” conta o diretor da Porto Assessoria e Gestão.

Os desafios iniciam-se com os custos. É comum que as empresas nacionais importem CIF — Cost, Insurance and Freight, um tipo de frete no qual o fornecedor é responsável por todos os custos de entrega da mercadoria —, colocado no terminal brasileiro, e exportem FOB — Free on Board, tipo de frete no qual o comprador se responsabiliza por todos os custos com o transporte da mercadoria após ela embarcar no navio —, de forma que, dali para frente, o importador tome conta da logística.

Carlini aponta, ainda, outros empecilhos: “Os pequenos exportadores e importadores brasileiros têm problema para controlar os custos, porque não são eles que determinam os transportadores e nem os terminais onde as cargas são operadas”.

É também necessário mencionar nossos desafios com a burocracia, pois, no Brasil, o registro e a liberação de cargas podem levar dias. A partir de Roterdã, por exemplo, as cargas conseguem chegar ao destino desejado em dois dias, pois, além do sistema hidroviário, a burocracia é muito reduzida. Roterdã é a segunda mais importante cidade da Holanda e possui o maior porto marítimo de toda Europa.

Para reduzir esses problemas, a Receita Federal tem se movimentado pelo Portal Único, buscando reduzir a documentação necessária para liberar as cargas.

Para se ter uma ideia de como é a logística de portos em outros lugares do mundo, tomemos os exemplos de Roterdã, Oakland (Estados Unidos) e Xangai (China).

Porto de Roterdã

O porto de Roterdã, na Holanda, é pioneiro na automatização desde os anos 90. Lá, robôs operam a logística dos contêineres. Na central de monitoramento, os funcionários guiam as máquinas no transporte das cargas enquanto observam o fluxo de processos. O porto tem oito centrais controladas por joystick, 62 caminhões robôs e seis telas por guindaste.

A busca é pela otimização contínua, o que faz com que o porto suporte um volume de cargas que é quase duas vezes o do Brasil inteiro, segundo Carlini.

Porto de Oakland

No porto de Oakland, nos Estados Unidos, há um centro de distribuição próprio, que oferece novos serviços logísticos para facilitar o transporte dos produtos e reduzir os custos para os clientes. São 700 mil metros quadrados com linha férrea, armazém, terminais para grãos e granéis sólidos, entre outros elementos importantes para a distribuição das mercadorias.

Porto de Xangai

A China tem 7 dos 10 maiores portos do mundo, sendo um ótimo exemplo de gestão logística, o que contribui para que ela seja líder de importação no mercado. Com mais de 3.600 quilômetros de extensão, o porto de Xangai movimentou, somente em 2015, 10 milhões de contêineres. Para dar conta dessa demanda, o porto contou com muitos investimentos em transporte.

Como a tecnologia ajuda na logística de portos?

Como você pôde ver pelo exemplo dos principais portos do mundo, a tecnologia e os investimentos em transportes são essenciais para otimizar processos de logística de portos e otimizar o fluxo das mercadorias.

O Complexo de Suape (Pernambuco), por exemplo, ganhou uma estação meteoceanográfica, capaz de monitorar o nível da água, os ventos da região e as correntes marítimas, melhorando a segurança para navegação e atracação. Um ondógrafo também será instalado no Complexo para medir a altura e período de ondas.

O Brasil ainda não tem terminais totalmente automatizados, mas, segundo Nelson Carlini, essa talvez não deva ser a nossa prioridade. “Dá para continuar com os processos semiautomatizados e bastante gente trabalhando, porque não vale a pena automatizar tudo e fazer um investimento gigantesco. O progresso virá com o aumento de volume, com a sofisticação das cargas.”

Vale lembrar que navios e contêineres se movem de maneiras difíceis de calcular, o que torna o processo de elevação ou carregamento impreciso e difícil de automatizar. Investimentos pontuais na otimização de processos são necessários, mas é preciso examinar a estrutura que ampara o funcionamento de um porto. Segundo Carlini, o governo e as empresas precisam atentar para as estradas e redes ferroviárias, que, muitas vezes, causam congestionamentos em portos como o de Santos.

Outra sugestão de Carlini para redução dos custos é o aumento dos navios. “Hoje em dia, em Roterdã, eles recebem navios com 23 mil contêineres cada. Aqui no Brasil, o maior que chega tem capacidade para 12 mil. Quando você aumenta o tamanho do navio, barateia o frete.”

Viu só como a logística de portos traz impactos para a nossa indústria e interfere no fluxo de mercadorias que circulam em nosso país? Se você quer aprender mais sobre o assunto, não deixe de conferir nosso artigo sobre o impacto da tecnologia nas operações logísticas e let’s talk!

Talk NMB
Content Team

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