Veja os impactos, benefícios e como implantar a logística reversa na indústria farmacêutica.

Se você acompanha os programas de consciência ambiental há alguns anos, deve ter percebido algumas mudanças no discurso. Afinal, passamos da total responsabilização dos sujeitos entendidos como consumidores para a partilha de funções, na qual todos nós temos os nossos deveres para com o meio ambiente.

Aos poucos, as organizações, movimentos e os cidadãos entendem que a indústria precisa cumprir o seu papel para que mudanças significativas aconteçam e fenômenos como o aquecimento global sejam contidos. O fortalecimento e a regulamentação da logística reversa são resultados disso.

Quer entender quais são os impactos da logística reversa para a indústria farmacêutica em nosso país, como ela beneficia empresas e o que você pode fazer para implantar esse tipo de programa? Acompanhe o post que preparamos a seguir!

Por que a logística reversa ainda traz tantos desafios no Brasil?

O Brasil é o sétimo país que mais consome medicamentos em todo o mundo, segundo uma pesquisa do Conselho Federal de Farmácia (CFF), mencionado em uma publicação especializada. O impacto socioambiental do descarte inadequado desses medicamentos, portanto, é considerável.

Quando antimicrobianos são jogados na natureza sem o devido cuidado, os agentes causadores de doenças, em contato com essa classe de medicamentos, ficam mais resistentes a eles. Como consequência, governos, institutos de pesquisa e empresas precisam investir em fármacos mais potentes, o que pode causar efeitos adversos nas pessoas. Isso pode levar anos e um grande volume de investimentos.

Em 2010, foi implantada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) por meio da Lei Federal No 12.305 de 02 de agosto daquele ano. Ela estabelece que a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos seja compartilhada entre fabricantes, distribuidores, importadores e comerciantes.

O grande problema é que o Programa não estabeleceu parâmetros de mensuração para avaliar as propostas das empresas. Ao longo de 8 anos de implementação, não houve um grande desenvolvimento nesse sentido, pois há muitos obstáculos financeiros, tributários e operacionais. Além disso, alterações legislativas que permitam avanços significativos ainda estão sendo realizadas, como veremos no caso da Cetesb, em São Paulo, adiante.

Quais são os impactos da logística reversa para a indústria farmacêutica?

Graças à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), farmácias, indústrias químicas e outros agentes de setor passam a ser diretamente responsabilizados pelo ciclo de vida dos produtos. Todos os produtos, incluindo suas embalagens, devem contar com um programa de logística reversa implementado, desde que exista viabilidade técnica e financeira.

Até então, não havia consenso sobre a responsabilidade de cada um na cadeia. A educação ambiental do consumidor é essencial para manutenção de um ciclo mais sustentável na produção. É ele quem ainda se responsabiliza pela devolução de embalagens, por exemplo. Contudo, sem o envolvimento das empresas e das organizações governamentais, esse consumidor pode não conseguir viabilizar sua colaboração.

Nem todas as cidades contam com programas de coleta seletiva, por exemplo. Além disso, os impactos de uma ação sistêmica, envolvendo empresas de coleta e tratamento, são muito maiores do que se nos concentrássemos somente na ação dos indivíduos.

Quais benefícios a logística reversa traz para o setor?

Programas de logística reversa têm impactos socioambientais, pois acarretam na geração de lucros, na correta operação das empresas e na criação de empregos que beneficiam diretamente a sociedade. Entenda!

Cumprimento da lei

A Política Nacional de Resíduos foi implementada em 2010, mas as organizações estaduais ainda se esforçam para que as empresas não negligenciem as normas estabelecidas. Em São Paulo, as empresas precisam estar em dia com a logística reversa para passarem pelo processo de licenciamento ambiental.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) publicou essa determinação no Diário Oficial do Estado em abril de 2018, definindo condições para que a logística reversa fosse gradualmente exigida como condicionante na emissão e renovação de licenças.

Para viabilizar a implementação, a Secretaria do Meio Ambiente (SMA) e a Cetesb estabeleceram Termos de Compromisso com setores empresariais desde 2011. A iniciativa foi implementada em duas fases, envolvendo a implementação de 13 mil pontos de coleta no estado. Até o momento, são coletadas 350 mil toneladas de resíduos por ano. Uma postura similar também foi adotada nos estados do Acre e Paraná.

Como podemos ver nesse exemplo, as empresas que atuam de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos têm maior facilidade de conquistar o licenciamento ambiental e atuam em cooperação com os Estados. Em conformidade com a lei, elas têm mais condições competitivas e maior confiabilidade da população.

E por falar em confiabilidade, o programa da Cetesb já trabalha com um sistema eletrônico, permitindo maior agilidade e comparação entre os diferentes sistemas de logística reversa. A organização pretende, no futuro, divulgar os dados operacionais para a população, assegurando mais transparência.

Fonte de lucros

Programas de logística reversa podem ser rentáveis. O setor de medicamentos precisa lidar com a necessidade de implementação de pontos dispersos para coletar pequenas quantidades de produtos, o que pode parecer inviável para muitas empresas.

Contudo, em parceria com supermercados e varejistas, aliada à cooperação do consumidor, essa coleta fica mais ágil. O tratamento dos resíduos colabora com empresas tratadoras terceirizadas e com as próprias fabricantes, que podem revender embalagens recicladas e reagentes.

Inovação

Os 3 R’s da sustentabilidade são: reduzir, reutilizar e reciclar. Portanto, para reduzir a quantidade de resíduos gerados, as empresas podem otimizar seus processos produtivos, tornando-os mais rentáveis e inovadores. Além disso, os tratamentos de resíduos resultam na criação de novos mercados e modelos de negócio para as companhias.

Como implementar um programa de logística reversa?

Caso a sua empresa ainda não conte com um programa interno de tratamento de resíduos, ela pode iniciar de maneira autônoma ou contar com o serviço de uma empresa tratadora terceirizada.

Além disso, a embalagem e as demais estratégias promocionais de seus produtos precisam contar com informações para que o consumidor possa dar o descarte correto aos produtos. Postos de coleta no varejo são uma excelente solução para facilitar essa coleta.

Logisticamente, a vida de um produto não termina quando ele é entregue ao cliente ou quando ele é descartado na lixeira. É bem verdade que os hábitos da população precisam ser revistos.

Contudo, indústrias farmacêutica e química precisam assumir a responsabilidade que têm na cadeia, já que elas apresentam potencial para reduzir, drasticamente, o impacto do descarte de medicamentos no meio ambiente.

Por meio de programas de logística reversa, elas não só contribuem com a manutenção dos recursos naturais, conquistando maior confiança e empatia da sociedade, como também podem lucrar com os materiais resultados desses processos de tratamento.

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