Quando se pensa em medicamentos especiais, logo vem à mente seu custo elevado de fabricação. Mesmo assim, a perspectiva de vendas no país é alta. Isso porque o Brasil é o sexto maior mercado desses medicamentos no mundo — suas vendas em 2017 foram estimadas em US$ 33,1 bilhões — e tudo indica que, até 2022, se torne o quinto maior mercado.

Por isso, a indústria precisa enxergar o potencial de expansão dos medicamentos especiais em nosso país. Isso porque, com o envelhecimento populacional e a mudança no perfil epidemiológico, a demanda por eles aumentará consideravelmente.

Isso se deve a algo que é inevitável com o envelhecimento: o aumento de doenças associadas a essa condição, como o câncer. Acompanhe o texto e saiba o que são medicamentos especiais e as regras quanto ao seu armazenamento e transporte.

O que são medicamentos especiais?

Medicamentos especiais são fármacos produzidos com alta tecnologia e pesquisa de ponta. Por isso, eles requerem condições especiais de armazenagem e de transporte. Esses fatores fazem com que representem alto custo para hospitais, pacientes, clínicas e planos de saúde.

Também devido ao alto custo, os medicamentos especiais não estão nos programas do Ministério da Saúde brasileiro — sua aquisição é feita pelas secretarias estaduais.

Citando um exemplo, o preço de uma única embalagem de um medicamento especial pode ultrapassar os R$ 10 mil reais, fazendo com que seja raro encontrá-los em drogarias comuns.

As doenças do envelhecimento representam um grande desafio para o sistema de saúde, e a indústria tem um papel significante para solucionar as questões que os tornam tão inacessíveis — quem ganha com a inovação dos medicamentos especiais é a própria indústria, o sistema de saúde, o mercado e principalmente os pacientes.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os medicamentos especiais correspondem a cerca de um terço de toda a venda de medicamentos. No Brasil, a comercialização, além de ser baixa, é restrita devido ao alto custo, tornando-os pouquíssimo acessíveis a todas as classes sociais do país.

Por que a tecnologia dos medicamentos especiais influencia no alto custo?

Os casos dos pacientes que usam medicamentos especiais são tão complexos quanto as pesquisas para sua fabricação. Por isso, é fundamental investir em alta tecnologia, o que também facilitará o relacionamento entre empresas, médicos e pacientes.

O tipo de tecnologia e o procedimento envolvido na cadeia de produção, armazenamento e transporte dos medicamentos especiais os diferenciam de outros medicamentos porque:

  • demandam maior pesquisa no processo de produção (significando mais tempo para ficarem prontos);
  • têm um custo extremamente elevado em comparação com outros medicamentos;
  • em geral, necessitam permanecer em refrigeração (mesmo em seu transporte);
  • têm validade, normalmente, mais curta.

Por tudo isso, a cadeia logística — produção, transporte, distribuição e dispensação — precisa seguir regras específicas que dependem de cada um dos medicamentos.

Em quais áreas os medicamentos especiais têm maior aplicabilidade?

Em geral, os medicamentos especiais são utilizados para tratar doenças complexas de diversas especialidades médicas, como:

  • reprodução humana (inseminação artificial e fertilização in vitro);
  • gastroenterologia;
  • endocrinologia;
  • pneumologia;
  • reumatologia;
  • metabologia;
  • dermatologia;
  • oftalmologia;
  • neurologia;
  • cardiologia;
  • nefrologia;
  • oncologia;
  • pediatria;
  • urologia;
  • entre outras.
Quais são as doenças que mais demandam medicamentos especiais?

As principais doenças que dependem desse tipo de medicamento são:

  • hipertensão arterial pulmonar,
  • hipotireoidismo congênito;
  • insuficiência renal crônica;
  • pacientes transplantados;
  • esquizofrenia refratária;
  • hepatite viral crônica B;
  • hepatite autoimune;
  • puberdade precoce;
  • artrite reumatoide;
  • anemia falciforme;
  • esclerose múltipla;
  • diabetes insípido;
  • mal de Parkinson;
  • endometriose;
  • osteoporose;
  • hepatite C;
  • hemofilia;
  • epilepsia;
  • psoríase;
  • câncer;
  • entre outras.
Como deve ser a armazenagem dos medicamentos especiais?

Cada fármaco especial requer um tipo de armazenagem. Alguns, por exemplo, requerem refrigeração, e outros precisam chegar ao paciente rapidamente, devido à validade extremamente curta.

Infelizmente, existe muita deficiência na infraestrutura logística brasileira, sem contar que a grande extensão territorial do país dificulta o processo de entrega dos medicamentos especiais.

Com relação aos medicamentos com propriedade terapêutica muito sensível até mesmo ao clima, colocar um simples termômetro na embalagem do remédio não basta. Isso porque a temperatura pode ser, muitas vezes, burlada na hora da entrega.

Para as fraudes não ocorrerem, as empresas mais responsáveis têm um sistema com chips retornáveis nas embalagens, para monitorar o status da entrega durante o trajeto.

É crucial que os locais de armazenagem possuam geladeira para manter os medicamentos na temperatura ideal, bem como geradores e um sistema de monitoramento 24 horas por dia. A obtenção de certificados de ISO 9000 demonstra a seriedade da empresa e agrega valor ao produto.

Como se lida com a vida humana — pessoas em tratamento contra doenças graves e, muitas vezes, crônicas —, o gerenciamento precisa ser eficiente no atendimento e na logística também.

Um exemplo de uma boa gestão é entregar previamente o medicamento de uma paciente tratando de infertilidade, e cuja medicação precise ser utilizada no horário pré-estabelecido pelo médico.

Como deve ser o transporte dos medicamentos especiais?

O fato de o Brasil ser um país muito grande dificulta o processo de entrega dos medicamentos especiais, sobretudo, devido às exigências especiais durante o transporte.

Por isso, as indústrias que desejam comercializar esses fármacos devem fazer um alto investimento em infraestrutura para serem capazes de atender os pacientes, inclusive, em áreas mais remotas do país. E, para facilitar todo o transporte, manter contato com a área de logística e de distribuição precisa ser prioridade.

Transporte aéreo

O transporte aéreo ocorre, principalmente, quando o medicamento é produzido em outros países. As regras para transportar fármacos de alta tecnologia por avião são muito restritivas, obrigando os envolvidos a seguirem normas rígidas de acondicionamento e manuseio, além de toda a documentação envolvida.

Durante o embarque e o desembarque dos medicamentos especiais nos aeroportos, o farmacêutico responsável técnico do aeroporto prioriza o armazenamento e a transferência dessa carga tão especial, visando mantê-la em perfeitas condições.

Transporte rodoviário

Aqui, os medicamentos especiais são distribuídos, desde o fabricante até seu destino, por empresas especializadas nesses produtos (distribuidoras de medicamentos e empresas de transportes de cargas especiais) tendo os mesmos cuidados de distribuição planejada e monitorada e sob responsabilidade de farmacêuticos.

Convém ressaltar que os cuidados técnicos, além da capacitação e qualificação contínuas de todos os envolvidos, obedecem às exigências da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Todo esse conjunto de ações garante extrema segurança no tratamento dos pacientes.

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