Apesar de o Brasil passar por um momento delicado da economia em vários setores, no mercado farmacêutico a história é bem diferente.

Em 2017, o mercado farmacêutico brasileiro foi considerado o sexto maior do mundo e, apesar de ter sofrido impactos e mudanças, ainda segue entre os 10 primeiros da lista e se mantém em considerável crescimento em meio à pandemia.

Um artigo publicado pela Associação da Indústria farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) apontou que a crise mundial na saúde em função do novo coronavírus trouxe à tona a relevância das pesquisas e inovações.

De acordo com um levantamento feito em 2018 pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), o Brasil conta com mais de 80 mil farmácias e drogarias privadas. O dado aponta para a realidade de um setor gigante e com perspectivas de crescimento para os próximos anos, mesmo diante de um cenário em que a economia se encontra em queda quando vários outros segmentos sofrem impactos graves e lutam parar resistir.

Continue a leitura e conheça o panorama da competição do mercado farmacêutico no Brasil, com as principais mudanças e adequações necessárias em função da Covid-19 e os dados mais recentes das vendas por estado e por tipos de medicamentos, além de valores de exportação e importação.

Crescimento no mercado farmacêutico brasileiro

Os dados do Guia 2019 da Interfarma apontaram a força desse mercado em 2018, e os números crescentes desde 2017 indicam que a indústria tende ao avanço. A comercialização de medicamentos arrecadou cerca de R$ 62 bilhões, com 238 milhões de doses vendidas no País.

Os números mostram uma resposta progressiva ao longo dos anos. Em relação ao ano anterior, o crescimento foi de 11%. Em 2017, a indústria também já se mostrava forte e apresentou um avanço também de 11% com relação a 2016.

O levantamento mostra que o Brasil tem 6% do mercado farmacêutico mundial e, dessa forma, ocupa a sétima posição no ranking de faturamento, ou seja, junto das principais economias. Quando se fala em América Latina, o País ocupa a liderança no mercado, na frente das indústrias do México e da Argentina.

As previsões para os próximos anos também são positivas e mostram que, até 2023, pode subir duas posições e ocupar o quinto lugar no ranking mundial, o que significa que deve corresponder a 7% do mercado global.

Laboratórios

O documento que mostra o Perfil da Indústria Farmacêutica em 2020, elaborado pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), mostra que em 2019 o mercado farmacêutico brasileiro contava com 249 laboratórios farmacêuticos regularizados e autorizados para a venda de medicamentos. Entre eles, a maioria, equivalente a 59%, tem capital de origem nacional.

Os dados apontaram que as empresas multinacionais detêm cerca de 51,6 % do mercado em faturamento e 34% em unidades comercializadas, enquanto os laboratórios brasileiros representam 48,4% do mercado e 66% em caixas vendidas.

Distribuição de vendas por estado

Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico 2018, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apresentou dados sobre a distribuição da venda de medicamentos por estado. São Paulo ocupa a primeira posição.

No levantamento, a indústria de medicamentos paulista obteve um faturamento de R$ 59,5 bilhões com a venda desses produtos. O número é significativo principalmente quando avaliamos o montante, que equivale a 78,1% do total de vendas em todo o território nacional.

Logo atrás vem o Rio de Janeiro, cuja indústria farmacêutica faturou cerca R$ 6,9 bilhões. O terceiro lugar do ranking foi Goiás, com faturamento de R$ 3,3 bilhões em 2018. E na quarta posição está o Paraná, com valor de medicamentos comercializados de R$ 2,8 bilhões.

Embalagens comercializadas

Os dados sobre o número de embalagens comercializadas também mostram que o estado de São Paulo lidera o ranking, com mais de 2,8 bilhões de caixas de medicamentos vendidas em todo o País ou 61,5% do total de embalagens comercializadas no Brasil.

Na sequência, o destaque foi Goiás, com 808 milhões de caixas comercializadas ou 17,7% do mercado nacional. Na terceira posição, está o Rio de Janeiro, com a venda de 267 milhões de embalagens ou 5,8% do total brasileiro. No ano anterior, quem ocupava o terceiro lugar era o Paraná, que caiu para a quarta posição com 261 milhões de caixas comercializadas. Em 2017, o estado foi responsável pela venda de 347,5 milhões de embalagens.

Ranking de vendas por tipo de medicamento

Em 2018, os medicamentos genéricos e similares foram os destaques de venda de acordo com o anuário da Anvisa. Foram 3,1 bilhões de embalagens vendidas, o equivalente a 68% do total de unidades comercializadas no Brasil (4,5 bilhões).

Veja abaixo como ficou a distribuição desse comércio:

  • Embalagens de medicamentos genéricos comercializadas — mais de 1,6 bilhão;
  • Embalagens de medicamentos similares comercializadas — mais de 1,4 bilhão.

Os medicamentos genéricos vêm traçando uma curva ascendente nos últimos anos. Em 2015, foram responsáveis por 30% da quantidade comercializada. Já em 2016, eles chegaram a corresponder a 32,4% do total. Em 2017, a porcentagem chegou 34,6% e foi superada em 2018, quando a comercialização dos genéricos correspondeu a 35,5% do total de medicamentos vendidos no Brasil. São números que mostram um aumento de oportunidade de mercado para a indústria farmacêutica nacional, que pôde aumentar sua capacidade de produção.

Entre os fatores que podem explicar o aumento da venda desse tipo de medicamento estão os preços competitivos, o aumento da confiança da população no produto e a maior oferta de classes terapêuticas.

Em relação ao faturamento, os dados da Anvisa apontam que os medicamentos novos são os que detêm uma maior representatividade no mercado nacional, totalizando mais de R$ 28,2 bilhões (37%). Contudo, nota-se uma desaceleração no faturamento desse tipo de produto nos últimos anos: 40% em 2015 , 39,4% em 2016 e 38,2% em 2017.

Exportações e importações

Segundo informações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, as exportações da indústria farmacêutica alcançaram US$ 1,247 bilhão em 2017 , um aumento de 3,82% em relação a 2016. Comparando com valores de 2000, é um aumento cinco vezes maior, o que demonstra o crescimento da presença desse mercado em outros países.

Já as importações de vacinas, hemoderivados e outros itens farmacêuticos somaram US$ 6,557 bilhões, o que significa um aumento de 2,63% em relação ao ano anterior.

O que mudou com a pandemia

Desde os primeiros casos registrados de Covid-19 no Brasil, notou-se uma preocupação com as mudanças no mercado farmacêutico.

Entre os principais pontos que indicavam um possível impacto no setor, estavam o redirecionamento de recursos da saúde para o tratamento da doença causada pelo novo coronavírus, a liberação temporária da telemedicina no Brasil e a venda de produtos relacionados aos cuidados e prevenção, como o álcool em gel.

Além disso, houve uma necessidade crescente no que diz respeito a pesquisas e avanço tecnológico. Com o progressivo número de infectados e os registros de vítimas fatais aumentando diariamente, travou-se uma verdadeira batalha cujo principal desafio é vencer as barreiras o tempo.

Em uma concentração de esforços global em busca de resultados de alternativas terapêuticas inovadoras em medicamentos, vacinas e diagnóstico, o setor está cada vez mais atuante na linha de frente da luta contra a Covid-19. Além de parcerias e ações focadas no combate ao vírus, a indústria se concentra em encontrar uma solução em meio ao caos.

No campo dos estudos, o Brasil contribui com 10 pesquisas clínicas em curso. Em todo o mundo, já foram registradas 1982 pesquisas que trazem como tema central o novo coronavírus. O dado é do Clinical Trials, um levantamento que reúne todos os ensaios clínicos no mundo, feito pelo governo dos Estados Unidos, que lidera em quantidade de pesquisas.

O número pode parecer tímido quando avaliamos o contexto geral de propagação da doença. Mas os avanços se mostram extremamente significantes quando pensamos no tempo demandado para que cada pesquisa e seus respectivos testes sejam realizados.

Nos Estados Unidos, país que vem demonstrando extrema agilidade nesse campo, uma pesquisa demora em média 30 dias para ter o protocolo aprovado. Em pouco mais de um mês, o número de registros de pesquisas relacionadas à Covid-19 quase triplicou.

Isso significa que dezenas de laboratórios farmacêuticos se empenharam rapidamente no combate à doença. O número de estudos e pesquisadores cresce a cada dia e o mercado ganha destaque.

Impactos nas vendas

Além de um aumento no número de vendas de acessórios, como a máscara de proteção, que subiu de 30 mil unidades para 128 mil num comparativo entre fevereiro de 2019 e o mesmo mês em 2020, também foi possível perceber um impacto na venda de medicamentos no mercado farmacêutico brasileiro durante a pandemia.

Estudos mostram que a venda de remédios para consumidores finais apresentou um aumento de 33% na semana de 29 de março a 04 de abril, quando comparado com a semana anterior.

Entre os medicamentos mais vendidos, estão os destinados ao combate a doenças infecciosas e problemas respiratórios. No período inicial da pandemia, o setor apresentou crescimento de 7,2% da comercialização de unidades de remédio em comparação ao mesmo período do ano passado.

Os impactos podem estar relacionados ao comportamento do consumidor. Com o aumento do fluxo de informação sobre formas de prevenção, os compradores passaram a se preocupar mais com a saúde e, consequentemente, a buscar por tratamentos.

Além disso, outro fator relevante foi o adiamento do aumento nos preços dos medicamentos. Os produtos tinham previsão de reajuste para o início de abril, mas por medida publicada pelo Governo Federal, foi adiado para 60 dias após o prazo inicial. Decorrido o prazo no início de junho, uma nova proposta de congelamento foi aprovada no Senado e segue para a Câmara dos Deputados.

Mudanças no atendimento ao público

A adaptação ao cenário da pandemia também foi necessária no atendimento à população. Com a recomendação de isolamento social, a circulação de pessoas nas ruas e a busca direta nas farmácias sofreu uma queda.

A mudança exigiu ampliação dos serviços de entrega e adequação à regulamentação da Anvisa, que autoriza a Telemedicina e permite o atendimento médico por videoconferência, trazendo à tona a realidade das receitas digitais.

Além disso, os cuidados para evitar a contaminação dos farmacêuticos também são pontos importantes. O Conselho Federal de Farmácia disponibilizou orientações aos farmacêuticos e informações sobre adequação das instalações, descarte de resíduos, higienização, equipamentos de proteção individual (EPIs), entre outras, para auxiliar os profissionais no enfrentamento da Covid-19.

Expectativas para o próximo semestre

Já antes da pandemia, a expectativa era de que o mercado farmacêutico brasileiro continuasse aquecido nos próximos anos. As projeções apontavam para um crescimento entre 5% a 8% no período entre 2018 e 2022.

Até 2023, o crescimento do mercado pode fazer com que o País suba duas posições e ocupe o quinto lugar no ranking mundial, sendo considerado responsável por 7% do mercado global. Vale ressaltar que o progresso não vem de agora. Em 2012, o Brasil já ocupava a sétima posição no ranking.

O Guia da Interfarma de 2018 apresentava dados que sugeriam para 2022 uma projeção de gastos com medicamentos entre US$ 38 bilhões e US$ 42 bilhões.

Mas, com as mudanças em função do novo coronavírus, há um senso maior de urgência, e a pergunta que ecoa na maioria dos setores não é diferente na indústria farmacêutica: como fica o mercado no próximo semestre?

As projeções anuais precisaram ser reavaliadas para um novo cenário e, ainda assim, as expectativas continuam sendo de progresso. Enquanto em outros setores o fator econômico é preocupante, o mercado farmacêutico deve se manter imponente.

A explicação para a resistência do setor em meio à crise é o fato de que a indústria atua na linha de frente do combate e, para além da necessidade de produtos no dia a dia do consumidor, há necessidade de agilidade e rapidez no que diz respeito ao desenvolvimento de tratamentos, vacinas e medicamentos para combater o vírus.

O mercado farmacêutico no Brasil, a cada ano, ganha maior competitividade no cenário mundial, mesmo diante das oscilações da economia, e deve continuar dessa forma.

Localmente, é possível perceber a força da região sudeste, reforçando o fato de que as indústrias de São Paulo e do Rio de Janeiro ocupam a liderança na comercialização de medicamentos no País e, além disso, há o destaque na venda dos genéricos e similares na região.

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1 Comentário

  1. Belmiro Marinho Responder

    Todo mundo sabe que é a estratégia que move o negócio, no entanto sem informações de mercado o estrategista fica sem rumo e navega ao sabor das ondas no curso de qualquer luga se chega.
    A estratégia é um sistema de valor gerado pelo propósito e pela criação do valor. Só que sem informações não dá. E informações como estas que acabo de ler são importantíssimas para nos dizer o o que temos que fazer para chegar lá.

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