Crescimento das superbactérias levanta dúvidas sobre o assunto e alerta a comunidade farmacêutica.

Na era da internet, onde temos muita informação disponível, fica difícil saber o que é verdade e o que é mentira e onde devemos buscar a informação mais adequada. Quanto se trata de saúde, a atenção deve ser redobrada. Nos últimos anos, o debate sobre as superbactérias surgiu forte, espalhando muitas informações desencontradas.

Mas afinal, o que é mito e o que é verdade sobre o assunto? O pesquisador Marcelo Polacow, que estuda o assunto, nos últimos anos vem chamando atenção para a importância de ter as informações corretas quando o assunto é antibiótico, até porque o uso incorreto dos medicamentos pode levar a sérias complicações. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) 30% das prescrições de antibióticos são desnecessárias, ou possuem o uso incorreto.

De acordo com o farmacêutico, mitos como o de que a superbactéria é uma coisa positiva, ou que KPC é o nome de uma bactéria são assuntos comumente levantados. Na verdade, a superbactéria é uma sobrevivente, uma bactéria que sobreviveu ao uso errado do antibiótico e KPC é uma enzima que bactérias produzem para inativar carbapenêmicos.

“O uso indiscriminado de antibióticos contribui para o surgimento de novas e resistentes bactérias e seu uso de forma errada duplica essa possibilidade, por isso é tão importante que os antibióticos sejam receitados de forma correta”, argumenta Polacow.

O pesquisador também levanta uma questão importante sobre o crescimento das superbactérias, que é o uso de antibióticos na produção de animais para consumo alimentar. De acordo com Marcelo, essa é uma das principais fontes geradoras de bactérias resistentes. Diferente do que se pensa, o maior uso de antibióticos é feito por animais e não por humanos, sendo ainda mais difícil o controle na venda desses medicamentos.

Por isso, é importante a conscientização e o investimento em pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, o que, segundo Polacow, tem sido um grande desafio do setor, pois as bactérias evoluem na mesma velocidade em que o medicamento é feito, sendo assim, quando ele chega ao mercado a bactéria já evoluiu. “Isso é um problema que tem preocupado toda a comunidade farmacêutica em nível mundial. Precisamos investir na pesquisa, ou estaremos de volta a era dos pré-antibióticos, em que doenças simples não possuem um tratamento eficaz”, conclui.

Esse assunto foi abordado no Simpósio de Inovação da ANF, no dia 21 de maio, em paralelo à FCE Pharma.

Talk NMB
Content Team

1 Comentário

  1. Por favor, enviar a agenda do evento. A Anvisa irá palestrar e não encontro isso no site.

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