Especialista comenta sobre processo de produção de cosméticos nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo.

O mercado cosmético brasileiro, atualmente, ocupa a quarta posição global, ficando atrás de Estados Unidos, China e Japão; porém, o país tem muitas possibilidades de subir ainda mais nesse ranking. Por isso, uma dúvida constante de quem está nessa indústria é: como funciona o processo de produção de cosméticos internacional? Será que ele pode melhorar para nos alavancar nesse ranking?

Veja o que diz o executivo de P&D, Carlos Praes, sobre a produção de cosméticos nacional e internacional.

Comparativo

De acordo com Praes, não é tão diferente assim. “A produção de cosméticos no Brasil ou nos Estados Unidos não muda tanto, as duas seguem as mesmas etapas, mas o entrave do nosso País é que não dispomos de matéria-prima com a mesma facilidade que os americanos”, explica.

Segundo ele, tanto em solo nacional como em solo estrangeiro, o processo de produção de um novo produto não varia tanto, no entanto, aqui, ao solicitar um insumo o fabricante espera um mês, enquanto nos Estados Unidos ele recebe no mesmo dia.

“Nossa dependência na importação de insumos ainda é muito alta. Cerca de 60% da matéria-prima que usamos é de fora. Nossa cadeia fornecedora precisa ganhar mais agilidade nesse quesito. Também tem o fato de as maiores produtoras de matéria-prima estarem nos Estados Unidos”, defende.

Etapas da produção de cosméticos internacionais_infográfico

Planejamento estratégico e inovação

Uma das formas de tentar acelerar esse processo é uma mudança de planejamento dos fornecedores, alinhado a uma melhor gestão de estoque. Entretanto, essas decisões esbarram em outras como inventário, custos de logística e armazenamento.

Um dos problemas destacados pelo especialista é a falta de investimento em inovação, principalmente após a crise de 2015, deixando a produção apenas à base de commodities – fórmulas já existentes. Infelizmente, ainda hoje, poucas empresas do segmento investem em planejamento estratégico de tecnologia.

“O problema das nossas indústrias é apenas seguir as tendências, sem se antecipar a elas. O mais estratégico e assertivo caminho a se escolher é o investimento no estudo de tendências, saber antes o que o consumidor espera e vai querer”, opina Carlos Praes.

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E a regulação?

Muitos acreditam que uma das principais causas que travam o setor é a questão do regulamento no Brasil, que enfrenta questões muito burocráticas. Entretanto, o processo de regulação nacional não é tão complicado como se imagina. Claro que são necessárias melhorias, entretanto, se há um bom planejamento de produção não há grandes entraves.

Existem dois processos a serem seguidos, ambos são necessários o envolvimento da Anvisa. Quando se deseja lançar produtos como, protetor solar, alisantes e repelentes, é necessário apresentar o registro do produto à entidade. A aprovação pode variar, dependendo dos ingredientes de cada produto e sua ação ao usuário.

Outros produtos como maquiagem ou hidratantes necessitam apenas de uma notificação no site da Anvisa que, através de sua inteligência artificial, analisa os requisitos e aprova o produto em até 24 horas.

“Mesmo com nosso déficit na matéria-prima, podemos planejar melhor a escolha de insumos inovadores, que nos darão produtos ainda melhores e mais competitivos. É uma mudança de cultura, mas que é possível de ser aplicada”, conclui o especialista em P&D.

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