Quer entender quais são as oportunidades do uso de insumos naturais no mercado? Acompanhe o que preparamos a seguir!

A era digital é profundamente marcada pela transparência. As pessoas desejam saber, cada vez mais, como os produtos e serviços que elas consomem são produzidos e se os valores da marca se alinham ao que elas acreditam. Nesse cenário, emerge a busca por medicamentos com insumos naturais, que colaboram com a preservação do meio ambiente e oferecem informações mais claras aos usuários.

Para se ter uma ideia do crescimento desse mercado, em 2011, a indústria mundial de fitoterápicos movimentou US$26 bilhões, o que resulta em 3,2% das cifras mundiais referentes à comercialização de medicamentos no mesmo ano. O mercado está se movimentando e, ao contrário do que estereótipos possam apontar, alia-se fortemente à tecnologia para assegurar o fornecimento de bons fármacos.

Inovação na indústria farmacêutica: uma necessidade constante

Para acompanhar as necessidades do mercado e oferecer soluções que caminhem com os novos comportamentos do consumidor, a indústria de fármacos está sempre se renovando. Segundo o ranking anuário do Valor Inovação Brasil, a indústria farmacêutica é o 2º setor que mais investe em inovação no Brasil. Nessa mesma pesquisa, levantou-se que a inovação é a prioridade na agenda estratégica de 62% das empresas do setor farmacêutico e das chamadas ciências da vida no Brasil, ficando atrás apenas da área de bens de consumo (67%).

Outros dados interessantes trazidos nesse estudo: 5% do faturamento anual dessas empresas são canalizados para o desenvolvimento de novos medicamentos e moléculas, bem como estudos clínicos que validem essas pesquisas. Além disso, 53% dos recursos são destinados a inovações não rotineiras ou incrementais, deixando o setor em quarto lugar nesse quesito.

O mercado farmacêutico nacional é tido como um dos mais promissores para investimentos. Segundo uma pesquisa da IMS Health, nos últimos dez anos, o Brasil tornou-se um dos dez maiores mercados farmacêuticos do mundo. Há três fatores que impulsionam esse crescimento:

  • o aumento do poder de consumo entre brasileiros, sendo que 50% correspondem à ascensão da classe C;
  • alterações regulatórias que tornam acessíveis os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs);
  • o envelhecimento da população, que demanda mais produtos farmacêuticos para manutenção da qualidade de vida.

O uso de insumos naturais impulsiona essa busca por inovação: o mesmo artigo da Fiocruz apontou que, em 2011, o mercado de fitoterápicos movimentou R$1,1 bilhão.

Uso de insumos naturais e pesquisa científica

Embora seja tratado como uma tendência, o uso de insumos naturais para o tratamento de patologias acompanhou a humanidade em toda a sua história, de maneira preventiva e curativa. Bom exemplo disso é a medicina chinesa.

Na indústria e em universidades, bibliotecas de produtos naturais complexos sintéticos são crescentes, e os pesquisadores seguem, cada vez mais, uma abordagem de síntese guiada pela preservação da biodiversidade. Nela, busca-se o uso harmônico da química combinatória e a síntese de produtos naturais. Assim, os produtos naturais têm levado pesquisadores em todo o mundo na identificação de moléculas com potencial para o desenvolvimento de novos fármacos.

Nesse cenário, destacam alguns tipos de pesquisa de fármacos com produtos naturais:

  • farmacologia combinada ao uso de técnicas de etnografia, em busca de conhecimentos tradicionais para orientar o uso das plantas medicinais;
  • síntese ou semi-síntese de compostos naturais;
  • pesquisa e descoberta de novos compostos-líderes naturais.

No Brasil, o desenvolvimento de novos fármacos, bem como o refinamento de matéria-prima para medicamentos, tem se tornado complexo com o passar dos anos. Isso porque os custos de pesquisa tornaram-se mais elevados. Além disso, as agências regulatórias também ficaram mais rigorosas quanto às exigências de documentação e testes clínicos.

A burocracia e as leis de acesso a recursos genéticos também trazem muitas dificuldades para pesquisas que envolvam produtos naturais. Isso porque o acesso aos recursos genéticos de nosso país ainda funciona sob os limites de uma medida provisória. Ela traz uma série de exigências que dificultam bastante o processo de obtenção de licença e autorizações para que os pesquisadores identifiquem novas moléculas.

Protocolo de Nagoya: orientações para uma indústria mais sustentável

Alguns pesquisadores trabalham por uma legislação que colabore com a regulamentações do acesso aos recursos genéticos no Brasil e alinhe-se com o Protocolo de Nagoya. Aprovado durante a COP-10 da Convenção sobre Diversidade Biológica, no Japão, ele estabelece a repartição dos benefícios dos recursos genéticos proporcionados pela biodiversidade dos países.

O protocolo é incisivo ao dar proteção aos países detentores da biodiversidade. Ou seja, com uma nova legislação alinhada a esse protocolo, os pesquisadores esperam obter condições para realizar estudos que colaborem com os nossos biomas e proporcionem benefícios à humanidade.

Fitoterápicos e produtos naturais

Muitos consumidores ainda confundem fitoterápicos e produtos naturais, dado que eles têm, por princípio, o mote da sustentabilidade. Vale lembrar, contudo que os fitoterápicos são as substâncias derivadas de plantas conhecidas por suas propriedades para tratamento de patologias. Já os remédios naturais, por outro lado, são as substâncias retiradas na sua forma bruta, quase sem ou sem purificação.

O grande desafio da indústria farmacêutica é oferecer medicamentos com insumos naturais (fitoterápicos) e conquistar a parcela da população que recorre aos remédios naturais. Esta indústria está sempre em busca de oportunidades de inovar.

Um olhar mais atento para a biodiversidade abre possibilidades para inovações, para a geração de renda local e para a preservação ambiental. E você, gostou do nosso artigo sobre o uso de insumos naturais na indústria farmacêutica? Assine a nossa newsletter para receber outras novidades do mercado e let’s talk!

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