Transição capilar é crescente entre as brasileiras, mas ainda possui vasto caminho a ser explorado

De acordo com o Google, as buscas sobre transição capilar (o processo de deixar o cabelo livre de química alisante ou relaxante) começaram a ser relevantes em 2013 e, de lá para cá, cresceram 2.300%. Até metade do ano passado, a procura por “cabelo crespo” foi 850% maior que as registradas em 2006, quando o termo despontou no buscador.

Os números confirmam como o movimento de aceitação e a busca pelo visual mais natural só crescem, muito motivado pelas novas gerações, que discutem fortemente o assunto. Nas prateleiras de produtos também se nota, hoje, cada vez mais opções para os cabelos cacheados, crespos ou em transição capilar.

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Temporada destaque

O verão é uma das épocas mais propícias para o aumento da transição capilar, visto que as altas temperaturas podem ser bastante incômodas ao usar secador ou chapinha. Para Marina Fernandes, diretora de marketing estratégico da Dinaco, representante distribuidora de matéria-prima, o movimento de transição capilar no mercado cosmético pode ser entendido como uma derivação da beleza sem regras.

“O cabelo liso como ideal de beleza já não é unanimidade. Os padrões dão lugar à beleza singular, num resgate da autoestima. Por isso vemos o consumidor buscar produtos que realcem sua própria beleza, ao invés de ajudar a enquadrá-lo num estereótipo do belo”, opina a especialista.

Inovação e saúde

A Dinaco representa mais de 20 fabricantes mundiais de especialidades químicas e conta que recebe muitas demandas por inovações e ativos que atuem também como tratamento capilar.

“O cabelo da brasileira, que em sua quase totalidade passa por alisamentos ou (des)coloração, nos demanda produtos que tratem o sistema capilar como um todo, incluindo o couro cabeludo e a estrutura dos fios. Um de nossos produtos, o GENENCARE ® OSMS BA, por exemplo, cuida de toda a estrutura do fio do cabelo, do córtex à cutícula, além de hidratar e proteger o couro cabeludo”, complementa.

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Produtos beneficiados

Uma das empresas responsáveis a levar essa tecnologia às suas consumidoras é a Salon Line, referência no assunto no Brasil. Presente no mercado cosmético desde 1995, foi uma das primeiras a oferecer produtos para alisamento de fios crespos, e também, uma das primeiras a perceberem que essa mesma consumidora desejava voltar às raízes.

“A Salon Line é uma empresa consolidada há bastante tempo no mercado e atuou por muitos anos antes do boom da transição capilar. Quando essa mesma mulher decidiu que talvez fosse a hora de voltar ao seu cabelo natural, nós acompanhamos essa jornada e começamos a desenvolver também produtos para o tratamento durante e após a transição capilar. Isso começou em 2014 para a gente”, explica Kamila Fonseca, gerente de marketing.

Para o desenvolvimento desses produtos, a empresa realizou diversas pesquisas com as próprias consumidoras com cabelos cacheados para entender suas necessidades, além de testes com produtos importados e desenvolvimento de formulações.

“Submetemos nossas consumidoras a testes cegos para que nos dissessem quais eram melhores, avaliávamos quais cores elas mais gostavam para determinada necessidade. Hoje em dia, nosso processo já é bem mais rápido porque aprendemos muito ao longo dos últimos anos”, exemplifica a gerente.

A gestora do laboratório Salon Line, Rafaela Moretti, conta que a relação com a indústria de matéria-prima é boa e evolui em conjunto. “Sempre solicitamos novos ativos, a maioria dos fornecedores são multinacionais, então eles têm acesso a novas tendências que surgem em todas as partes do mundo, principalmente as que migram do skin care para o hair care”.

Troca de expertises

Ainda há um grande universo a ser explorado pelo mercado cosmético brasileiro. Atenta a essas novas demandas, a Lubrizol, uma das empresas representadas pela Dinaco, desenvolveu ano passado o Fixate Keratin, uma formulação semifinalizada com tecnologia livre de formaldeídos e de ácido glioxílico, sem fumaça irritativa e com pH amigável ao couro cabeludo.

O produto leva a tecnologia NPET (Novel Penetration Encapsulation Technology – nova tecnologia de penetração encapsulada) que ajuda os ativos a penetrarem no córtex do cabelo, transformando-o de dentro para fora. Resultados como redução de volume, controle de frizz e definição de cachos foram observados nos testes de laboratório e aplicação do Fixate Keratin em cabelos cacheados.

Dentro do leque de empresas representadas, a Dinaco ainda possui mais quatro clientes que possuem matérias-primas enquadradas na categoria “free from”, produtos que excluem ativos prejudiciais ao cabelo cacheado.

“A Dinaco trabalha em forte parceria com suas representadas, com o intuito de atender ao desafio de cada cliente. Explicamos aos fabricantes internacionais a especificidade do cabelo brasileiro, e como era necessário adequar o produto para este mercado”, diz Marina Fernandes.

“O Brasil ainda está engatinhando. Crescemos muito na parte de alisamento, em que o país é bem adiantado, mas para todo o restante, estamos no começo do que ainda pode ser feito e explorado”, conclui a gestora do laboratório Salon Line.

Aproveite e veja neste post as tendências internacionais e as novidades que vão chegar em breve no Brasil. Este e outros debates relevantes da indústria cosmética serão apresentados no encontro do Talk SCIENCE, que acontece de 21 a 23 de maio de 2019, no São Paulo Expo. Você é um profissional do setor e gostaria de se atualizar sobre as novidades do mercado brasileiro e internacional? Venha para nosso encontro!

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Talk NMB
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